26 de maio de 2008

Em que consiste tratar as pessoas como pessoas, quer dizer, humanamente?

Hoje em dia levanta-se muito a questão se afinal tratamos as pessoas como pessoas. É certo que muitas vezes não acontece e é um dos grandes problemas da sociedade de praticamente toda a história. Mas, felizmente, isso ainda existe. Mas afinal o que é e quando acontece?

Tratarmos as pessoas humanamente consiste, basicamente, em termos respeito por essas pessoas. Ao respeitarmos alguém, num caso normal, essas pessoas respeitar-nos-á também. E desde aí nasce logo uma pequena relação social entre duas pessoas, por mais insignificante que seja e aí, sentimo-nos dois seres humanos. Certamente todos nós recordamos episódios que consideramos insignificantes de pessoas que não conhecemos de ponto algum mas que de certa forma nos marcaram apenas pelo respeito que tiveram por nós. Respeito esse que nos faz sentir seres humanos, pessoas. Um exemplo diário disso é ao entrarmos num estabelecimento, as pessoas segurarem na porta para que possamos entrar. Gesto simples mas de respeito. Se fosse um animal irracional certamente o correriam dali para fora num ápice. Também poderíamos designar este exemplo de educação mas, em que consiste a educação se não no respeito?

Como referi, anteriormente, sermos tratados como pessoas é também existir diferenças entra a forma como se tratam os animais e a forma como se tratam as pessoas o que nos distinguem. Isto não quer dizer que tratemos mal os animais. Nada disso. Quero apenas com isto dizer que humanos têm sentimentos que devem ser percebidos e respeitados. Humanos têm pensar próprio, têm gostos distintos, fala, imaginação infinita. Sabem criticar e dar razão, sabem dizer sim ou não e sabem mentir e ser verdadeiros. Concluindo, sabem ser autónomos e pensar por si mesmos, o que não sucede com os animais, daí as nossas diferenças e a diferente maneira de tratamento que devemos ter para com as pessoas e para com os animais.

Tratar alguém humanamente é também percebermos essa pessoa: tentar sentir o que ela sente, pensar o que ela pensa, ter a mesma opinião e ver as coisas como ela vê, apenas por momentos. Esta é uma definição muito pessoal de “perceber alguém”. Só assim poderemos perceber e só assim poderão perceber-nos que é algo muito importante para nós, seres humanos. Quantas vezes as pessoas nos deixam de tratar como pessoas, que somos, por não nos perceberem? Quantas vezes já desejamos que nos percebessem e vissem o nosso ponto de vista, apenas por momentos. Quantas vezes nos tentamos dar a perceber em vão, apenas porque as pessoas não fazem o mínimo esforço para nos perceberem? Talvez seja este outro dos grandes problemas da sociedade, a incompreensão. Bastariam apenas segundos do lado de quem não percebemos para que tudo fosse diferente.

Todos nós somos seres humanos e as nossas diferenças são apenas exteriores. Algo que não é aceite na sociedade. Para nós importa apenas o que os olhos vêm pois o coração nada sente porque, nem sequer por momentos o deixamos sentir. Julgamo-las pela sua cor, raça, religião, aspecto, aparência. Chegamos ao cúmulo de as julgar pela sua posição social, profissão e bens que possuem desde os guarda-roupas, à marca do/s carro/s, dos perfumes e claro está, julgamo-la pela sua conta bancária.

Assim concluo dizendo que tratar as pessoas como seres humanos é termos respeito por todas as pessoas, é sabermos distingui-las dos animais, não tratando ambos de forma igual, é percebermos as outras pessoas e é sabermos vê-las através do seu interior e não do seu exterior pois, ser pessoa é aquilo que está dentro de nós, que os nossos olhos não vêm mas que o coração sente.

Autora: Ana Pinto

21 de maio de 2008

Não quero ouvir!


Não! Não quero saber, não quero ouvir. Só quero lembrar o que saiu do coração, o que não foi copy -paste, o que não passou por outrora e não sei se isso existiu. Só percebo alguém quando oiço com o coração o que não quero fazer contigo, não quero que o meu coração te oiça.

Por momentos o meu coração quis ouvir-te. As tuas palavras doces e, à partida sinceras, invocaram-no. Sentia-se desejado.

Juntei todas as minhas forças e disse-lhe para não te ouvir, pois magoar-se-ia muito. Mas, as minhas forças não foram suficientes e ele por momentos escutou-te, por momentos sentiu-te e por momentos desejou-te. Mas, depressa se feriu. Eu não queria mas as minhas forças não chegaram.

Coração desiludido sente dor, dor profunda que magoa. Porque deseja ser diferente dos outros, ser especial, ser adorado. E sentiu-se igual, indiferente. Sentiu-se mais um no meio de outros tantos. Porque quando olhou à sua volta viu que corações como ele, por ti, tinham sido iludidos.
Autora: Ana Pinto